De alergia a ovo a picada de insetos: loja em Fortaleza reúne produtos para todos os alérgicos

Diagnosticada com intolerância à lactose aos seis anos de idade, a assistente social Raquel Borges sabe o que é ter uma vida totalmente adaptada à sua alergia. Em sua casa não entra nenhum ingrediente que tenha leite em sua composição. Quando vai a uma lanchonete ou restaurante é tachada de chata pois sempre pergunta qual é a composição dos pratos e como é feita a manipulação dos ingredientes na cozinha. Há três anos os cuidados se intensificaram pois o filho de Raquel foi diagnosticado com alergia à proteína do leite da vaca. Se já era precavida em relação a si, Raquel tornou-se mais zelosa devido à alergia do filho, que tem 3 anos.

“Eu sempre gostei de cozinhar, então eu mesma fazia as adaptações na alimentação dele [filho]. Quando as pessoas souberam que eu fazia os bolos e cupcakes começaram a me pedir encomendas. Eles já sabiam que eu fazia sem leite e começaram a me pedir alguns produtos sem ovo e sem soja, mas eu não podia fazer por causa da contaminação de contato”, explica. Como em sua casa não havia nenhum tipo de alimentação com leite é permitido que ela cozinhe e venda produtos sem leite. Mas no caso do ovo e da soja, a diferença não é só a ausência do ingrediente na receita, mas a ausência total dentro de casa. Não pode haver nenhum instrumento de cozinha (geladeira, forno, fogão) que tenha tido contato com o ingrediente ou mesmo de seus derivados.



Como a demanda foi aumentando e os clientes pediam outras restrições, Raquel decidiu se informar mais sobre o assunto e conheceu a franquia SOS Alergia em Marília, São Paulo. “A alergia alimentar era o nosso foco, mas eles têm uma proposta muito maior, com produtos destinados a alergia respiratória, picada de inseto e de contato. Eu me encantei e decidi trazer essa novidade para Fortaleza”, relembra a proprietária da loja inaugurada em dezembro de 2014. Além dos produtos industrializados, a loja possui uma cozinha onde são fabricados produtos próprios. Bolo, salgadinhos, empada, esfirra, sanduíche, tudo sem ovo, sem leite e sem soja.




A maior frustração de uma mãe é ela ter que dizer “não” para um filho. Não por falta de condições econômicas mas de você não ter o que oferecer para um filho porque o alimento não é seguro. Ele ver um bolo bonito e não poder comer é de partir o coração.




“Meu filho tem muita dificuldade de comer coisa nova. Ele diz: “mamãe eu posso comer? não tem leite de vaca? Ele tem essa resistência porque quando chega em um lugar, ele sempre tem que perguntar se pode comer antes de ingerir qualquer coisas. Quando ele vai pra um aniversário, ele não vai comer do bolo, nem vai comer docinho. Ele vai levar a sacolinha dele com o lanche que eu preparo”, reforça a empresária.



Loja

O estabelecimento é separado em quatro áreas, a de alergia alimentar, com pães e biscoitos sem glúten, chocolates e bolos sem leite e sem ovos; alergia respiratória, com travesseiros que evitam o ronco e produtos destinados a pessoas com rinite e sinusite; alergia à picada de inseto, com repelentes e velas de citronela e alergia de contato, com maquiagem, bijuteria e esmaltes hipoalergênicos. Na inauguração, houve uma contação de histórias onde foi servido um lanche, a hora em que as mães ficaram tensas, devido às restrições dos filhos. Mas após serem informadas da composição dos ingredientes, elas autorizaram as crianças a comerem. “Foi uma festa, eles comiam bolo, biscoito e sorriam. Só de ver a sensação que eles estavam de poder comer qualquer coisa foi incrível”, revive.

“Temos porções individuais, e lanches. Muitas crianças que vão à festas de aniversários dos coleguinhas ficam tristes porque não podem comer o bolo e os salgadinhos. Então aqui eu fabrico pequenas porções de bolo com cobertura, beijinho, brigadeiro, tudo que tem em uma festa, para que a criança não fique de fora”, detalha. Quem tem filho alérgico sabe que não dá para arriscar a segurança da criança com qualquer alimento. Devido ter passado por diversas situações complicadas com o filho, para Raquel todo cuidado é pouco. Em uma das crises, além da reação alérgica, o filho teve tosse, os olhos incharam e Raquel teve que levá-lo à emergência para tomar adrenalina.

“Algumas pessoas acham que isso é frescura mas não é. É por segurança. Aqui eu trabalho com transparência total, para que as mães possam confiar, afinal eu também sou mãe de uma criança alérgica e sei o que é isso. A parte logística, ter que entender de tributação é a mais chata, mas a parte boa é estar conversando com as mães, ter essa troca e ver a tranquilidade das pessoas de adquirirem um produto que podem usar sem receio é impagável”, conclui.






Serviço
Rua José Vilar, 1420 – Meireles
(85) 3016-3902 | (85) 8612-5520
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