Estado do ceara registra queda na geração de empregos

No ano passado, a geração de empregos celetistas no Ceará não foi tão forte como em 2013, tendo em vista que foram criados 47.372 novos postos celetistas, ante 50.206 no ano imediatamente anterior - queda de 5,64%. Ainda assim, os trabalhadores cearenses não têm muito do que reclamar, já que o Estado foi o terceiro maior gerador do País nesse quesito, ficando atrás apenas de Santa Catarina e do Rio de Janeiro. Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de dezembro de 2014, divulgado ontem, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Apesar de considerar o resultado de 2014 "bastante positivo para o Estado", o analista de mercado de trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, reforça que a expectativa inicial era que o Ceará gerasse mais de 50 mil novos postos formais em 2014, o que acabou não ocorrendo. De acordo com ele, houve uma "grande oscilação" ao longo do ano. "Em metade dos meses tivemos resultados melhores que em 2013 e, na outra metade, registramos uma geração bem abaixo do ano anterior", explica.

Mesquita disse, ainda, que o resultado de dezembro também foi decisivo para que o Estado não batesse a meta de geração de empregos formais no ano passado. "Dezembro é um mês onde tradicionalmente há muitas demissões, mas em 2014 o resultado surpreendeu: foram 4.201 postos fechados no Ceará, ante 2.174 em 2013", diz o analista.

O peso da indústria

Se existiu um grande vilão para o trabalhador cearense no ano passado, esse alguém foi a indústria de transformação. Segundo o Caged, o setor fechou 859 postos formais no Estado em 2014, enquanto que, em 2013, havia gerado 6.929 empregos celetistas. "A indústria foi, sem dúvida, o maior destaque negativo do ano. Tivemos, por exemplo, muitas demissões no segmento têxtil e de calçados, que são os pilares do setor no Ceará", conta Erle.

Em contrapartida, o setor de serviços foi o grande destaque cearense em 2014, posto que gerou 24.940 empregos celetistas no ano, 23,8% a mais do que os 20.144 registrados em 2013. Conforme o Caged, o segmento de administração de imóveis e valores imobiliários, assim como os serviços de alimentação e alojamento foram os grandes destaques do setor. Comércio (11.747), construção civil (8.789) e agropecuária (1.532) também registraram resultados positivos na geração de postos, assim como os Serviços Industriais de Utilidade Pública (724) e administração pública (721).

2015 difícil

Ainda de acordo com Erle Mesquita, este ano não deve ser muito tranquilo para os trabalhadores. "Vemos a inflação pressionando, as famílias endividadas e o governo aumentando impostos. Vários fatores pesam contra a geração de empregos formais em 2015", opina o analista. Apesar disso, ele diz crer que o Ceará vai continuar avançando acima da maioria dos estados do País.

Brasil: resultado é o pior em 12 anos

Brasília. A criação de empregos com carteira assinada teve, em 2014, o pior resultado da série histórica iniciada em 2002, disse ontem, o Ministério do Trabalho e Emprego. No ano, foram gerados 397 mil novos postos de trabalho, desempenho 64,5% inferior a 2013, quando o saldo atingiu 1,1 milhão de vagas.

O resultado do Caged, divulgado em Florianópolis, foi o menor em 12 anos e frustrou a previsão de criar 1,5 milhão de vagas feita pelo ministro Manoel Dias, no início do ano passado.

Em Santa Catarina, sua base eleitoral, o ministro tentou minimizar o mau resultado ao atribuí-lo a algumas peculiaridades de 2014. "Houve uma campanha de que a Copa do Mundo não seria realizada, o que gera um insegurança e retrai o investidor", disse. "Também tivemos eleições acirradas, que criaram uma ideia de que o Brasil vivia uma crise, estava quebrando. Isso criou uma expectativa em alguns setores", afirmou. Mesmo longe de suas previsões, Dias viu uma tendência positiva na performance. "O importante é que nós continuamos acrescentando postos de trabalho no estoque".

Dezembro ruim

Em dezembro, o mercado de trabalho registrou encolhimento de 555 mil vagas. Foi o pior resultado para o mês desde 2008, quando estourou a crise econômica nos Estados Unidos. No mês, houve 1,176 milhão de admissões e 1,732 milhão de demissões. Na avaliação do economista da Fundação Seade, Alexandre Loloian, coordenador da pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), o saldo do ano é muito baixo para um governo que previa resultados mais robustos. O desempenho do mercado de trabalho, segundo ele, ficou "muito aquém" do esperado, principalmente no fim do ano, a partir de outubro e novembro.

Em abril do ano passado, Manoel Dias afirmou que o governo Dilma Rousseff chegaria a um total de 6 milhões de empregos criados em quatro anos - o que também não virou realidade. Dilma fechou o primeiro mandato com saldo de 5,3 milhões de vagas. "Cinco milhões foi espetacular. O mundo está em crise", emendou o ministro.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, porém, o resultado mostra uma tendência de estagnação com viés negativo.

Áquila Leite
Repórter



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