Jean Wyllys compara Igreja à exército que "corta cabeças"

Segundo Wyllys, a denominação do bispo Edir Macedo estaria organizando uma milícia que, no futuro, poderia se transformar num braço militar fundamentalista e se equiparar aos terroristas do Estado Islâmico, que decapita “infiéis” e empurra homossexuais do alto de prédios.

A iniciativa da Universal de organizar os jovens que frequentam seus cultos em batalhões, como se fosse milicianos, na opinião do deputado, chama a atenção pelo fato de os líderes da denominação os fazerem a marchar pelo templo.

No lançamento da iniciativa, há pouco mais de um mês, o bispo que apresentou os primeiros “gladiadores” disse que a igreja “daria o Espírito Santo” para os jovens através da disciplina: “Quando se tem um objetivo, você supera qualquer deficiência, qualquer obstáculo. Você vai abrir mão de muitas coisas para se preparar por Deus e nós vamos formar uma nova geração de pastores, aguerridos, determinados, e que vão fazer o inferno tremer”, disse.

Agora, o curioso projeto da Universal atraiu a atenção de um dos mais ferrenhos críticos dos evangélicos. Jean Wyllys diz que o fato de serem “cristãos” não ameniza o fundamentalismo religioso que pode tomar contornos violentos.

“A foto é chocante (ao menos para mim). O fundamentalismo religioso no Brasil – articulado profundamente à lógica de mercado e promovido por estratégias publicitárias que interpelam as pessoas a partir de preconceitos históricos e do senso comum que o sistema de educação formal de má qualidade não tem conseguido desconstruir – esse fundamentalismo religioso tem sido negligenciado pela intelectualidade brasileira de prestígio e por políticos democratas e republicanos ao mesmo tempo em que é incorporado, de maneira irrefletida, por quase todos os partidos e diferentes governos. O fundamentalismo cristão no Brasil tem ameaçado as liberdades individuais, a diversidade sexual e as manifestações culturais laicas. Agora ele está formando uma milícia que, por enquanto, atende pelo nome de ‘gladiadores do altar’. Quando atentaremos de verdade para o monstro que emerge da lagoa? Quando começarem a executar os ‘infiéis’ e ateus, e empurrar os homossexuais de torres altas como vem fazendo o fundamentalismo islâmico no Oriente Médio? Não é porque tem a palavra ‘cristão’ na expressão que o fundamentalismo cristão deixa de ser perigoso e não fará o que já faz o fundamentalismo islâmico”, escreveu Wyllys em seu perfil no Instagram.
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