Roberto de Lucena condena postura do Brasil diante do terrorismo

Chega a ser dramática”. Foi esta a definição que o pastor e deputado federal Roberto de Lucena deu à possibilidade de recrutamento de jovens brasileiros pelo Estado Islâmico. O alerta foi dado ao Governo Federal, após investigações de seus setores de inteligência.

Segundo os documentos entregues pelos órgãos investigativos, estes novos “militantes” entrariam em uma outra categoria do grupo terrorista, conhecida como “lobos solitários”. Seus nomes não constariam em listas internacionais e estes teriam mais mobilidade para realizar atentados em diversos países.

Em entrevista exclusiva, Roberto de Lucena comentou o caso e expressou o seu repúdio à morosidade com que o governo brasileiro tem agido com relação ao terrorismo.

Confira a entrevista logo abaixo:

Recentes investigações dos serviços de inteligência informaram ao Governo Federal que o Estado Islâmico tem tentado recrutar jovens brasileiros. Em sua opinião, o quão alarmante seria esta informação para a nossa sociedade atualmente?

A simples perspectiva de que o Estado Islâmico esteja se articulando para recrutar jovens brasileiros chega a ser dramática. Já há dois anos vinha, no Congresso Nacional, chamando a atenção para a movimentação de terroristas em nosso território a partir de uma série de reportagens do Leonardo Coutinho (Revista Veja) e outros documentos aos quais tive acesso.

Os órgãos investigativos alertaram que o interesse deste recrutamento estaria focado na realização de ataques durante as Olimpíadas de 2016. Poderia haver algum interesse além deste da parte do grupo terrorista no Brasil?

Eu já me preocupava com a Copa do Mundo, pois o Brasil se transformaria, naquela ocasião, numa vitrine global estratégica. Esse ambiente se repete agora, com as Olimpíadas. Por outro lado, ainda que os objetivos do terror não passem por esse evento, por vários motivos, imagine a possibilidade de termos aqui jovens com a concepção de mundo contaminada pelas premissas do EI, e treinados por eles.

No começo do ano, um Projeto de Lei de sua autoria que visa combater o terrorismo foi apresentado ao Congresso Nacional e comentar esta notícia destas investigações, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha apontou para a urgência da votação de uma medida antiterrorismo. O que seria necessário para que o Brasil de fato pudesse se posicionar firmemente com relação ao terrorismo?

O Brasil, por meio do Congresso Nacional, não votou ainda uma legislação antiterror. Essa nunca foi uma agenda considerada estratégica no Parlamento Brasileiro. Eu estive em Buenos Aires, em visita à Amia, e chorei com centenas de pessoas, debaixo de chuva, num ato que relembrou o atentado terrorista ocorrido 17 anos atrás, que ceifou a vida de muitas pessoas, marcou uma geração, feriu um povo. Estive também em outras partes do mundo, onde ocorreram atos como esse, a exemplo das torres gêmeas do World trade Center, em Nova York.

O terrorismo é covarde. É inaceitável. Não se justifica por nenhuma razão. Eu me desespero diante da falta de energia do Brasil em condenar o terrorismo. Eu me angustio diante do fato de que seguirmos mantendo boas relações diplomáticas e comerciais com países que dão sustentação a essas práticas. Tenho algumas propostas legislativas que tratam do assunto e espero mesmo que o Deputado Eduardo Cunha faça esse grande serviço ao Brasil e ao mundo moderno, de pautar o tema e liderar na Câmara um movimento que produza a legislação necessária e coloque ainda o assunto na agenda do Executivo.
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