Brasileiro inventa moto que anda 500km com água do Tietê! Será?

É verdade que um inventor brasileiro criou um motor que funciona com água suja e faz mais de 500 quilômetros com um litro?

A notícia tomou conta da internet na última semana de junho de 2015 e comemora a importante invenção de um aposentado na cidade de Itu (SP). De acordo com o texto, o motor chamado deMoto Power H2O utilizaria os princípios da propulsão por hidrogênio e é acoplado a uma motocicleta que, segundo o inventor, faz mais de 500km com um litro de água – e essa água pode ser até mesmo a do poluído Tietê!

A explicação dada pelo portal Yahoo! sobre essa grande maravilha é que:


“[…]A eletricidade faz o papel de separar o hidrogênio da molécula de água, seguindo por um outro cano onde ele, altamente explosivo, é enviado a um novo recipiente que fica próximo ao reservatório e tem a função de enviar o combustível para o carburador da moto, obtendo assim a combustão necessária para que a motocicleta entre em movimento.”

Será que finalmente estamos diante do primeiro motor movido a água do mundo?
Verdadeiro ou falso?

A moto existe mesmo e o senhor que se apresenta como inventor da moto a água afirma que finalmente resolveu um dos maiores problemas desse tipo de motor: A energia gasta para se retirar o hidrogênio da água através da eletrólise é sempre maior do que a que se ganha com a queima desse gás.

Ou seja, o motor pode até chegar a funcionar, mas por pouco tempo…

Já falamos aqui no E-farsas sobre algumas das muitas pessoas que disseram ter conseguido criar um motor a água e, como sempre, o projeto não é viável e não se ouve mais falar dele (conspiracionistas insistem que os tais inventores são presos e/ou mortos por membros da máfia petrolífera, que não querem perder seu reinado com os combustíveis fósseis. Mas isso é outra história que abordaremos em breve aqui no E-farsas!).

Em março de 2015, por exemplo, um capixaba foi notícia ao mostrar apenas uma pequena caixa de plastico amarrada ao radiador do seu carro, afirmando que aquele simples objeto faria com que qualquer veículo passasse a funcionar a água!

Como havíamos explicado na ocasião, não é possível um carro andar 1000 quilômetros com um litro de água como foi afirmado pelo “inventor” que, aliás, havia prometido colocar esse conversor revolucionário à venda em julho de 2015 e, até o fechamento dessa matéria – dia 22 de julho – o tal aparelho ainda não está à venda. Estamos no aguardo!

Convém também lembrar aqui e aqui e aqui do sonho impossível de muitos inventores que é a criação de um motor que gere energia infinita e limpa, o chamados moto-perpétuos!
Será que nesse caso é diferente?

Assista ao vídeo de apresentação da “moto a água” do inventor ituano e tire suas conclusões:

Perceba que o projeto aparenta ser até bacana e que o senhor parece não estar agindo de má fé, acreditando mesmo que seu invento irá mudar o mundo e isso pode até mesmo acontecer, desde que:
Ele consiga alguma fonte externa que recarregue a bateria extra que alimenta o craqueador da eletrólise
Consiga fazer com que todo o equipamento necessário para que isso funcione não fique pesado demais
Consiga reduzir as quantidade e os preços dos “produtos químicos secretos” escondidos dentro daquela maleta para que não torne o combustível (a água + aditivos) mais caro do que a gasolina
Convencer a todos que 1 litro de água é mesmo o suficiente para se andar 500 quilômetros
Executar o requisito “4” sem o tanque de combustível instalado na motocicleta (alguns céticos podem achar que a moto esteja usando alguma gasolina escondida ali)
A realidade não é bem essa

Alguns dias (e muitos comentários questionadores) depois da publicação feita no UOL a respeito dessa invenção, o portalresolveu fazer o que o jornalismo brasileiro raramente faz: Foi investigar melhor essa história e descobriu que não é bem assim, que a moto não funciona somente com água.

O sistema funciona, segundo o inventor, a partir de uma bateria de carro ligada no reator que gera a eletrólise. Essa bateria precisa ser recarregada para que o sistema funcione, senão… (como já havíamos antecipado) a moto pára de funcionar.

A reportagem do UOL ouviu o professor Ennio Peres da Silva, coordenador do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e o especialista ressaltou que:


“Ela [a moto] seria inviável se não tivesse essa alimentação externa. Mas inevitavelmente, independente dos recursos que se usem, essa bateria terá que ser reabastecida. Um sistema de reaproveitamento de energia, como proposto, pode adiar a recarga, mas não há, de acordo com as leis da termodinâmica, como criar um mecanismo de reaproveitamento de energia que seja capaz de sustentar o sistema de forma autônoma”

Além disso, o inventor também explicou nessa segunda reportagem feita pelo UOL que a água suja (ou a água do Tietê) não funciona tão bem como a água destilada e “enriquecida” e que há alguns “aditivos” na água que fazem com que a eletrólise tenha seu rendimento ampliado.

Quais são esses aditivos? O inventor diz não poder revelar quais são, pois – segundo ele – trata-se de um segredo para um produto que pode ser vendido ou patenteado…

Ah! Quanto ao fato da afirmação de que a moto faria 500 quilômetros com um litro d’água, o inventor também explicou que trata-se apenas de uma estimativa feita baseada no uso que ele fez do equipamento e que ele nunca fez essa medição:


“[…]Não é um número exato, mas posso dizer que o desempenho supera bastante o da gasolina”, disse o inventor.
Moto enquadrada como elétrica

Questionado sobre o assunto pela reportagem do UOL, o professor Ennio Peres afirmou que a moto do ituano, por utilizar uma bateria externa como fonte de alimentação, se enquadra mais como uma moto elétrica do que como uma moto movida a água.

Já o professor de Química Ernesto Gonzalez, da USP em São Carlos, explicou ao UOL que, por ser uma tecnologia que utiliza a alimentação por energia elétrica, esse sistema é menos eficiente do que seria uma moto elétrica de verdade, pois no sistema totalmente elétrico, a energia seria utilizada diretamente para mover o motor do veículo (diferente do sistema inventado pelo ituano, que precisa gastar energia para retirar o hidrogênio da água para só então realizar a combustão), o que diminuiria os custos e aumentaria a sua eficiência.

Quem quiser ir acompanhando o projeto da Moto Power H2O, o site do inventor ainda está sendo confeccionado, mas o endereço é http://www.motopowerh2o.com.br/.
Conclusão

Diferente do que foi alardeado na web, a Moto Power H2O não é uma moto que faz 500 quilômetros com um litro de água poluída. Ela é um projeto que “supostamente” usa a carga de uma bateria de automóvel para “supostamente” gerar a eletrólise que “supostamente” gera hidrogênio que “supostamente” faz o motor girar. Nenhum dos “inventores” conseguiu até hoje a façanha de criar um motor a água. Quem sabe, um dia, alguém consiga driblar as leis da termodinâmica e construa um motor que funcione apenas com esse líquido tão precioso? Mais uma vez, continuamos no aguardo!

Fonte: http://www.e-farsas.com/
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