Hospitais estão sem leite para crianças com mães soropositivas

Hospitais da rede municipal, estadual e federal de saúde não estão realizando repasse de fórmula láctea específica para crianças de até seis meses cujas mães são soropositivas. O repasse deve ser feito na unidade de saúde em que a criança nasceu e é determinado por portaria do Ministério da Saúde (MS) que destina verba ao Estado para compra do leite. De acordo com Vando Oliveira, coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids no Ceará, estariam sem receber o leite as crianças atendidas no Hospital Geral Dr. César Cals, Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Hospital Região Norte (HRN) de Sobral, Hospital Regional de Maracanaú e Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC).
 
"Estamos agora tentando fazer o levantamento de quantas crianças estão desassistidas. Muitas são de famílias carentes, sem recursos para custear a compra desse leite. O problema em Sobral já dura mais de quinze dias. Em reunião, ontem (na noite da última quarta-feira, 15) com o secretário (Estadual da Saúde, Henrique Javi) ele garantiu que o repasse deverá ser feito. Mas precisamos fazer o acompanhamento para saber quanto tempo ainda demora e quanto deve durar a compra", comenta o coordenador.
 
A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac) - federal - e Hospital Distrital Gonzaga Mota Messejana - municipal - também estão sem a fórmula láctea em estoque. O POVO apurou que o Gonzaguinha, que atende a cerca de 30 crianças com o perfil para receber a fórmula, recebeu 50 latas do produto, o que foi suficiente para apenas um dia.
 
Macileide Bandeira, chefe da Unidade de Nutrição da Meac, explica que a maternidade faz parte do Projeto Nascer, do Governo do Estado, como ponto de distribuição do leite, que é enviado pela Sesa. "Aqui na Meac, realmente está em falta. As mães que tiveram bebês aqui não estão recebendo essa fórmula láctea após a alta médica. Entretanto, todos os nossos bebês, enquanto internados, estão sendo nutridos, não com este leite do projeto, mas com leite adquirido através do nosso custeio, que só consegue atender aos que estão internados", detalha.
 
De acordo com infectologista pediátrico, que atende no Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), Robério Leite, o leite materno no caso de mães soropositiva leva alto risco de contaminação das crianças, fazendo com que seja imprescindível a ingestão de uma fórmula infantil adequada, como a que está em falta nos hospitais. "Ainda nesta tarde (de quinta-feira, 16), atendi a duas mães que foram encaminhadas do César Cals e da Maternidade-Escola para a primeira consulta e reclamaram que começaram a receber o leite, mas que agora está em falta", exemplifica o infectologista, que também atua como professor adjunto na Universidade Federal do Ceará (UFC).
 
"O ideal é que a criança que não pode ser amamentada receba essa fórmula até os 12 primeiros meses. A ingestão de leite de vaca pode induzir problemas como anemia. E a introdução de outros alimentos antes dos seis meses pode levar a distúrbios nutricionais, favorecendo ou a obesidade ou a desnutrição. Muitas vezes essa desnutrição é oculta, há uma carência de vitamina e de ferro, afeta o aprendizado, a absorção de nutriente,  pode desencadear diarreias e alergias", enumera.
 
Por meio de nota, a Sesa informou que "o produto está em fase de aquisição e o seu fornecimento será restabelecido na próxima semana". A assessoria da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que, em contato com Coordenação da Sela de Saúde da Mulher, responsável pela demanda das maternidades, "não há oficialmente relatos da falta do produto".
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