Abortar ou ser mãe e ficar cega? Ela escolheu ser mãe

Márcia Bonfim Vieira, hoje com 39 anos, ficou cega assim que descobriu que estava grávida, na adolescência. A chance de recuperar sua visão em até 80%, na época, só aconteceria através de uma cirurgia, mas para isso ela teria que realizar um aborto antes.

A equipe médica explicou que o procedimento a laser afetaria o bebê com graves sequelas ou o levaria a óbito. Sabendo disso, Márcia decidiu ficar cega para proteger a filha. O caso foi estudado por médicos dos Estados Unidos no quinto mês de gestação, num hospital de Curitiba (PR).

“Engravidei aos 15 anos de idade e, dois meses depois, peguei uma infecção (uveíte) e perdi a visão gradativamente”, conta a Viva Bem, do Uol. Uveíte é uma doença inflamatória que compromete a úvea ou uma de suas partes (íris, corpo ciliar e coroide).

“Meus olhos ficaram avermelhados e doloridos, parecia conjuntivite. Com o tempo, minha visão ficou turva, eu via vultos, as coisas duplicadas e, a cada dia, enxergava menos. Em 40 dias, fiquei completamente cega. Eu me mantive calma diante da situação, achei que fosse um problema passageiro”, lembra.
Decisão de não abortar

Ao receber a proposta dos médicos “comecei a chorar, entrei em pânico e respondi: jamais vou abortar, abro mão da minha visão para ser mãe. Tenho uma vida em meu ventre que depende de mim. Se o preço é continuar cega, vou pagar por isso”, disse.

Os médicos tentaram convencê-la, dizendo que poderia ter outros filhos no futuro. “Mas um filho não substitui o outro”, justificou. Lariany nasceu em 1994. “Enxergava minha filha com as mãos, tocando em cada parte do corpinho dela para conhecê-la”, lembrou.

Sete anos depois, Márcia se separou do pai de Lariany. Em 2011, conheceu o atual marido durante um treino esportivo para deficientes visuais. Ivanilson é cego de um olho e enxerga 5% com o outro.

O casal teve mais uma filha, Lorena, que nasceu em 2015. “Explicamos a ela que não enxergamos com os olhos, mas com o coração”, conta. Em 2017, Márcia passou por uma cirurgia de retirada dos olhos.

“Nunca me arrependi da minha escolha. Fiquei sem enxergar e, se preciso fosse, ficaria sem as pernas, os braços ou qualquer outra parte do meu copo. Daria a vida pelas minhas duas filhas”, concluiu.




FONTE: https://www.gospelprime.com.bR
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